O Crepúsculo da Realidade – Onde Foi que Erramos com Nossos Filhos?

Por Rodrigo Santos Dias | 03/03/2026

 O Crepúsculo da Realidade – Onde Foi que Erramos com Nossos Filhos?
 O Crepúsculo da Realidade – Onde Foi que Erramos com Nossos Filhos?
Por: Rodrigo Santos Dias
Jornalista – Jornal Impacto Diário

Vivemos um tempo de distorções profundas. Recentemente, as redes sociais foram tomadas pela imagem de uma influencer brasileira no Japão caminhando pelas ruas vestida de cobra. O fenômeno, que precisa ser chamado pelo nome correto, é o dos Therians (indivíduos que se identificam, em algum nível psicológico ou espiritual, como animais não humanos). Não se trata de um “cosplay” inofensivo ou de uma convenção de cultura pop como a Comic-Con. Estamos falando de uma crise de identidade que ultrapassa as barreiras do lúdico e invade o campo do preocupante.

Casos bizarros proliferam pelo mundo. No México, um jovem fantasiado de cachorro foi atacado por um pastor alemão real; o instinto de sobrevivência falou mais alto, e ele abandonou o “personagem” para não ser estraçalhado. Nos Estados Unidos, a bizarrice atingiu um ponto extremo quando o serviço de controle de animais foi acionado para retirar de cena uma mulher que andava de quatro, usando coleira, comportando-se como um dálmata.

A pergunta que não quer calar é: onde vamos parar?

O HD Mental e o Lixo Digital

Nossas crianças e jovens estão, desde o berço, com o rosto colado às telas. Tablets e smartphones tornaram-se as novas babás. Alguém dirá: “Mas no nosso tempo também víamos o Pernalonga ou o Pica-Pau.” Sim, víamos. Mas sabíamos que eram desenhos. Sabíamos que A Caverna do Dragão era fantasia. A diferença crucial hoje é que a internet — essa fonte praticamente ilimitada de informações — está preenchendo o “HD” mental de seres em formação com lixo ideológico e comportamental que apaga a linha entre o real e o absurdo.

Quando uma criança cresce acreditando ser “normal” que a realidade seja aquilo que ela bem entender — inclusive a possibilidade de se identificar como um animal — chegamos aos distúrbios que observamos na adolescência e na vida adulta. O Estado precisa olhar para isso, pois a integridade física e emocional desses jovens está em risco. Mas o Estado não é o único responsável.

O Resgate do Tradicional: Educação Não é Terceirização

Ser tradicional não é ser retrógrado. Ser tradicional é compreender que a base da sociedade é a família. O papel da escola é instruir, oferecer estrutura e conhecimento técnico. O papel de educar pertence ao pai e à mãe.

Falhamos quando permitimos que algoritmos criem nossos filhos. Precisamos retomar hábitos essenciais:
* Acompanhar a lição de casa e a rotina escolar.
* Conversar com os professores — verdadeiros heróis do cotidiano.
* Valorizar o trabalho braçal e os profissionais de saúde.
* Oferecer tempo de qualidade e livros, em vez de apenas Wi-Fi.

Conclusão

A tecnologia é maravilhosa quando facilita a vida — como o robô que aspira o chão e auxilia a senhora que limpa a casa. Mas torna-se problemática quando substitui a presença de um pai.

Não podemos permitir que o computador assuma o nosso papel. É preciso coragem para dizer “não” ao que o mundo tenta normalizar. Se não retomarmos as rédeas da educação e dos valores agora, o que restará da próxima geração além de fantasias vazias e identidades fragilizadas?

A realidade clama por socorro.
E a resposta está dentro das nossas casas.